A quem interessar, minha perspectiva sobre o que estamos vivenciando


Quando entrei no Flamengo no final de 2019, pouco me importava por qual clube jogaria, só buscava o elenco mais forte pra ganhar o CBLOL e coincidentemente acabei aqui.

Poucas semanas depois de entrar no clube, entendi que mais importante do que qualquer jogador, treinador e dirigente que já passou por aqui, o torcedor é o bem mais precioso da história do clube, por isso, venho por meio deste, me abrir um pouco com vocês.

O clube nunca esteve pior desde que ingressou no LOL. Nunca perdeu tanto, nunca demonstrou tanta apatia. Não consigo descrever o sentimento por ajudar a escrever essa história.

Primeiramente, em relação as brincadeiras que faço com frequência em stream ou redes sociais, nunca tive ou terei intuito de desrespeitar o clube ou a profissão que exerço. O valor de um atleta não se mostra no 1% de tempo em que está em exposição, mas sim nos outros 99% em que cumpre com seus deveres, honra seu público e seus companheiros com trabalho duro e dedicação. Não estou aqui pra tirar o meu da reta ou pra me gabar das minhas atitudes, mas se tem UMA coisa que não podem tirar de mim é meu empenho e profissionalismo no dia a dia.

Já agi mal ao longo da minha carreira em algumas atitudes, como xingar ou bater boca de uma forma pesada com companheiros de equipe, expressar extremo descontentamento em relação a performance individual, comprometimento, maneira de como estávamos conduzindo as rotinas, etc., mas nada me envergonha mais do que os últimos dias que se passaram. Passei a ignorar pequenas atitudes que, ao longo do tempo, foram envenenando nosso time. Eu me forçava a ignorar 30, 40 minutos de atraso pra evitar conflito. O mesmo com tomadas de decisão erradas ou o fato de não revisarmos nossos erros às vezes. Abstive-me de uma postura de liderança, em que simplesmente não ligava se estivéssemos fazendo múltiplas coisas erradas, simplesmente não queria estar mais ali.

Antes do CBLOL começar, já pensava em que discurso iria fazer quando recebesse o prêmio de melhor caçador. Já pensava se era melhor fazer bootcamp na Europa ou na Córeia do Sul para estar melhor preparado para o mundial, mas durante essa semana só se passava na minha cabeça como informaria a todos que não queria mais competir. Tem coisa mais triste pra um atleta?

Por muito tempo repeti a mim mesmo que xingamentos e ofensas em relação a mim não me abalavam. Sofri com isso a vida toda, não? Já ouvi que não seria ninguém mesmo de dentro da minha família. Por que estranhos fariam diferença agora? Também não sei, mas fazem.

Abster-me colocou-me numa situação muito delicada em que achei que não tivesse saída, mas puta que pariu, nada dá mais vontade de vencer do que calar a boca de quem duvida de você.

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